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O mercado está mostrando mais do que aparece na Bolsa. O que mudou ao longo da semana ? e o que pode estar sendo desenhado para os próximos dias? A análise completa já está no site. Vem acompanhar.

Fechamento da semana | O mercado estável, mas as incertezas continuam construindo preço


A semana termina com uma característica comum entre o feijão carioca e o preto: o mercado conseguiu sustentar preços mesmo com uma demanda mais cautelosa.


No carioca, tivemos uma semana de testes importantes. Os melhores padrões chegaram a trabalhar na faixa de R$ 350 a R$ 360, mas, ao longo dos dias, o comprador foi reduzindo o ritmo.

Na terça-feira, não houve vendas na Bolsa. Na quarta, 3.110 sacas ficaram disponíveis sem negócio. Na quinta, o movimento caiu para apenas 1.270 sacas, novamente sem venda.
Isso mostra uma mudança importante no comportamento das empresas.



Elas não deixaram de comprar. Estão comprando de forma mais seletiva, de acordo com a necessidade.

E essa postura ajuda a explicar por que o mercado entrou em uma espécie de compasso de espera. O comprador não quer correr atrás do preço, mas o vendedor também não está diante de um cenário de excedente que o obrigue a acelerar as vendas.

Há ofertas de terceira safra transitando e o mercado está sendo abastecido. Porém, até aqui, não aparece um volume que caracterize excesso de oferta.

É justamente esse equilíbrio que mantém o mercado estável.



E o produtor?

O produtor também está olhando para frente.

Além das condições atuais de comercialização, existe uma preocupação maior com aquilo que poderá acontecer na primeira safra. A janela até a entrada dessas novas ofertas continua sendo um dos principais pontos de atenção.

O que temos hoje está sendo administrado. A grande pergunta é o que teremos depois dessa janela de espera.

Enquanto essa resposta não aparece, o produtor encontra mais um motivo para permanecer firme nas suas posições.

Por isso, mesmo com a demanda mais cautelosa, ainda existe espaço para novas tentativas de preço.



E o feijão preto?

No preto, essa leitura ganha ainda mais peso.

Estamos operando literalmente com estoques e dentro das mesmas incertezas climáticas que cercam a próxima produção. Ao mesmo tempo, os preços no atacado paulista já chegaram à casa dos R$ 300 por saca em determinados padrões.

Na semana, o mercado mostrou sustentação. Na quarta-feira, cerca de 3 mil sacas de preto comercial fraco foram negociadas a R$ 250, enquanto as demais referências permaneceram firmes. Na quinta, o mercado continuava trabalhando entre R$ 250 e R$ 300, com resistência em aceitar níveis menores.
Mas existe um fator adicional que merece atenção: *a oferta futura.


O DERAL vem apontando redução da área de feijão no Paraná, com a retração especialmente concentrada nos cultivares pretos. O Paraná é um dos principais polos de produção do país, portanto, esse movimento entra diretamente na formação das expectativas de oferta.

Se considerarmos a estimativa de aproximadamente 90 mil hectares para a primeira safra, esse número passa a ser mais uma peça importante para o mercado acompanhar.

Não porque uma área menor determine, sozinha, o preço futuro. Mas porque, em um mercado que já trabalha com estoques e atravessa uma janela de espera, *qualquer dúvida sobre o tamanho da próxima oferta ganha peso maior na formação das expectativas.


E é justamente aí que o preto pode encontrar espaço para novas tentativas de preço.

A demanda não precisa crescer de forma expressiva para que isso aconteça. Se a oferta disponível continuar sendo administrada e o comprador precisar voltar ao mercado, novas referências podem ser testadas.


A tendência que fica

Para o carioca e para o preto, a leitura para a próxima semana é de estabilidade, mas não de mercado travado.

As empresas podem continuar comprando de maneira pontual. Os vendedores podem continuar testando novas referências. E os preços poderão encontrar novas tentativas de alta sempre que uma necessidade de reposição encontrar uma oferta mais enxuta.

O principal pilar continua sendo o mesmo:

não é apenas o que está disponível hoje que importa. É a dúvida sobre o que estará disponível depois dessa janela de espera.

No carioca, essa dúvida passa principalmente pela primeira safra e pelo comportamento das lavouras.

No preto, além disso, pesa a redução da área projetada e o fato de o mercado estar trabalhando sobre estoques.

O que temos hoje está sendo administrado. A grande pergunta é o que teremos depois dessa janela de espera até a primeira safra.

É essa incerteza que mantém o produtor atento e ajuda a explicar por que, mesmo com a demanda mais cautelosa, o mercado ainda não apresenta uma pressão clara de baixa.

 

 

 

 

Analista: Rose Almeida

 

 


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