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Feijão Carioca: Mercado Sinaliza Formação de Piso Após Sequência de Quedas
O ponto de mudanças As quedas diárias registradas ao longo de meados de julho, que atingiram o limite no pregão de segunda feira (20/07) com o Carioca 9,5 recuando para R$ 345,00 por saca no atacado de São Paulo, refletem uma liquidação técnica motivada pela pressa dos corretores em garantir liquidez logo na abertura da semana.
Mas os dados colhidos direto nas praças produtoras já mostram sinais de exaustão nesse movimento de baixa. A queda está encontrando uma barreira firme de sustentação lá na origem.
Os três pilares que sustentam o piso
Diferente de safras passadas, o limite de queda para o grão premium não vem de um reaquecimento da demanda. Vem do estancamento forçado da oferta, puxado por fatores econômicos e tecnológicos:
- Custo de produção travando o produtor. As lavouras da terceira safra operam sob custo alto de diesel e energia para irrigação. A faixa de R$ 280,00 a R$ 290,00 na lavoura é o limite operacional. Abaixo disso, o produtor entra no prejuízo e simplesmente para de ofertar.
- Câmara fria virando arma de negociação. O produtor tecnificado está colhendo grão de excelente aspecto, padrões 8,5 a 9,5 de cor, com baixo escurecimento. Ao bater no piso, a saída natural é fechar a porteira e guardar o grão limpo na câmara fria, segurando o produto de melhor qualidade longe do balcão da Zona Cerealista.
- Indústria sem colchão de estoque. A queda no consumo do carioca (a UFMG aponta retração de até 50% no consumo histórico) tirou de cena a especulação de grandes volumes e afastou os atravessadores mais afoitos. Com a indústria operando no modelo just in time, sem estoque de passagem, qualquer travamento do grão premium no campo já bate direto no abastecimento do atacado.
Projeção de piso para agosto
Com o pico da colheita de inverno previsto para as duas próximas semanas, o mercado deve se comportar de forma segregada entre padrões:
Extra / Premium (notas 9 a 9,5)
- Piso na lavoura: R$ 280,00 por saca
- Piso no atacado (CIF SP): R$ 310,00 a R$ 320,00 por saca
- A indústria vai tentar furar esse patamar aproveitando o volume do pico, mas encontra retenção forçada do campo pela frente. Mercado deve andar de lado, com preços se acomodando pelo próprio cansaço das negociações.
Comerciais (notas 7,5 a 8)
- Piso no atacado (CIF SP): R$ 240,00 a R$ 250,00 por saca
- Grãos vindos majoritariamente do Paraná, com mais defeitos e pouca viabilidade para armazenamento longo. O spread contra o Extra deve alargar bastante no pico de agosto, com o comprador punindo os lotes inferiores.
O gatilho de médio prazo: atraso nas águas
A leitura climática do El Niño aponta final de inverno seco no Centro Oeste e Sudeste, e chuva em excesso no Sul, o que deve travar as janelas de plantio da primeira safra 2026/2027 a partir de setembro.
Com a área irrigada disponível restrita, boa parte da safra das águas em regime de sequeiro entra atrasada. O resultado é um vácuo no abastecimento entre novembro e dezembro de 2026.
Conclusão: quem segurar o feijão de qualidade na câmara fria durante a pressão do pico de agosto tende a colher margem melhor no início do último trimestre, quando a indústria for obrigada a recompor estoque em meio ao atraso da safra nova.
Rose Almeida - Analista de Mercado
Crédito da imagem: Pedro Vasques - GO
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