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Feijão: preços sustentados e mercado à espera de quem cede primeiro
Na Zona Cerealista e nas regiões produtoras, compradores testam valores abaixo das pedidas, enquanto vendedores resistem apoiados pela sustentação dos preços e pelas incertezas climáticas.
O pós-pregão desta quarta-feira mostrou um mercado em que a oferta existe, mas as negociações continuam limitadas. Na Zona Cerealista paulista, há ofertas de feijão carioca dos padrões 7,5 ao 9,5. Os compradores sondam oportunidades, porém apresentam propostas abaixo dos valores pedidos pelos vendedores.
Até o momento, essas tentativas não encontraram aceitação dos corretores, que mantêm suas referências diante da sustentação dos preços na origem. O mesmo comportamento é observado nas regiões produtoras: vendedores defendem suas pedidas, enquanto compradores avaliam até onde podem avançar sem pagar mais.
O resultado é um mercado de observação, em que os dois lados aguardam uma mudança de postura do outro. Por enquanto, a disputa não está em quem oferece mais, mas em quem aceita ceder primeiro.
Preços atrativos na origem, mas a espera tem seu custo
Em regiões produtoras com disponibilidade de mercadoria, como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, as referências para o feijão carioca comercial, entre os padrões 7,5 e 8,5, variam de R$ 270 a R$ 300 por saca. Para os melhores padrões, notas 9 e 9,5, os valores ficam entre R$ 310 e R$ 320, conforme a região e as condições do negócio.
São referências que oferecem oportunidades de comercialização e merecem ser consideradas pelos produtores. Isso não significa que todos devam vender imediatamente, mas que o preço disponível hoje precisa ser comparado com a valorização adicional esperada e os riscos de manter os estoques.
O clima sustenta as expectativas, mas não garante novas altas
As incertezas climáticas sobre a próxima safra ajudam a explicar a resistência dos vendedores. As condições das lavouras podem afetar a produtividade, a qualidade dos grãos e o volume que chegará ao mercado nos próximos meses.
Entretanto, existe uma diferença entre a possibilidade de perdas e a confirmação de seus efeitos sobre a oferta. Além disso, o mercado não depende apenas da produção: a capacidade de compra e o ritmo de reposição também influenciam os preços.
Se a demanda continuar limitada, a expectativa de menor oferta não necessariamente se transformará em valorização imediata.
Quem consegue esperar tem vantagem?
Adiar a venda na expectativa de preços melhores pode trazer ganhos, mas também envolve riscos. O mercado pode permanecer estável, os negócios podem continuar lentos e os custos de armazenagem e financiamento podem reduzir a vantagem de esperar.
A decisão precisa considerar a qualidade do produto, o preço disponível, os custos e a necessidade financeira de cada propriedade.
A leitura desta quarta-feira é de resistência dos dois lados. Na Zona Cerealista e nas regiões produtoras, os compradores testam valores menores, enquanto os vendedores defendem suas pedidas. Sem aceitação das propostas ou avanço consistente das negociações, o mercado permanece à espera de quem mudará de posição primeiro.
Mais do que perguntar quanto o feijão poderá valer amanhã, é preciso avaliar se a valorização esperada compensa o risco de deixar passar uma oportunidade de comercialização que já existe hoje.
Rose Almeida | Analista de Mercado
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