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O PRODUTOR SEGURou. E O MERCADO COMEÇOU A RESPONDER.
O produtor segurou, e a origem reagiu
Desde o dia 7 de agosto, acompanhando o mercado na rua, na Bolsa e as informações que chegam das lavouras, uma mudança ficou cada vez mais clara: o produtor chegou ao piso e mudou o comportamento.
Na origem, os preços já vinham trabalhando na faixa de R$ 230 a R$ 250 por saca. A partir daí, o produtor passou a ouvir mais, comparar mais e vender de forma gradual, deixando de entregar simplesmente porque havia oferta.
E o mercado sentiu.
Nos últimos dias, começaram a aparecer novas pedidas e negócios realizados diretamente nas lavouras, com recuperação dos valores. Hoje, já encontramos referências entre R$ 240 e R$ 280 por saca, dependendo da qualidade, região e condição do negócio.
Isso não significa que a demanda tenha aumentado.
Não aumentou.
O comprador continua comprando dentro da necessidade, mantendo o fluxo necessário. O que mudou foi o outro lado da negociação: o produtor ficou mais firme.
Essa firmeza já havia sido identificada na semana passada e indicava que o mercado precisaria encontrar espaço para movimentar os preços. Agora, essa reação começa a aparecer na origem.
Mas é justamente aqui que precisamos ter calma.
Não falta feijão.
A safra avançou, as colheitas continuam e a mercadoria está chegando. Ao mesmo tempo, também não estamos diante de uma cadeia administrando excesso de feijão. Estamos trabalhando com feijão da safra, que o produtor está escolhendo quando e como colocar no mercado.
Por isso, a estratégia que começa a prevalecer é de venda gradual, teste de preço e acompanhamento da resposta do comprador.
O momento pede calma, estratégia e, principalmente, realidade.
A recuperação das pedidas é um sinal de firmeza, mas não deve ser confundida com aumento de demanda. O comprador ainda não está correndo atrás de feijão; ele continua comprando conforme sua necessidade.
A diferença é que, agora, encontra um produtor menos disposto a ceder.
O mercado não virou uma corrida de alta. Mas também já não encontra a mesma facilidade para pressionar a origem.
Neste momento, o melhor caminho é observar. O produtor deve manter o pulso, testar os preços e vender de forma gradual, sem se deixar levar pela emoção.
A nova leitura é simples: há feijão, há colheita, há comprador mas o produtor recuperou poder de escolha sobre o ritmo da venda.
E é justamente esse equilíbrio que precisamos acompanhar daqui para frente.
Autor: Ioann Vanilar
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