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FEIJÃO | SUDOESTE PAULISTA: CHOVEU MUITO, MAS DE ONDE VÊM OS 40% DE QUEBRA?

Essa é uma das perguntas que mais tenho recebido nos últimos dias:



?Rose, quanto da 1ª safra do Sudoeste Paulista foi afetado pela chuva??

E junto vem outra informação:

?Estão falando em 40%, 50% de comprometimento.?

Vamos separar o que já é fato do que ainda não temos como medir.

O primeiro ponto é que choveu muito.

Em Itararé, setembro terminou com 396,2 mm de chuva, mais de cinco vezes a média histórica do mês e o maior acumulado mensal desde o início dos registros municipais, em 2012.

Itapeva também enfrentou períodos de chuva forte. A região registrou transtornos suficientes para que eventos fossem adiados e, no início de outubro, novos temporais provocaram ocorrências no município.

Em Avaré, um temporal entre os dias 21 e 22 de setembro trouxe cerca de 32 mm de chuva e ventos de 50 a 60 km/h, com quedas de árvores e danos pontuais.

E a instabilidade continuou na virada do mês. A Defesa Civil manteve Avaré, Itapeva e região sob atenção para pancadas, raios e rajadas de vento, inclusive com possibilidade de chuva forte pontual.

Portanto, o problema climático existe. Isso não é boato.

Agora vem a parte mais importante.

De onde saíram os 40% ou 50% de quebra e/ou perda da safra?

Até este momento, não divulgado levantamento oficial que permita afirmar que o Sudoeste Paulista perdeu  40% ou 50% da produção de feijão.

E existe uma razão para isso.

O produtor não tem obrigação nenhuma de abrir sua posição.

Ele não vai necessariamente dizer quanto plantou, quanto ainda pretende plantar, quanto perdeu ou quanto está conseguindo colher.

Isso faz parte do jogo.

E quem está fora da região acaba recebendo uma informação fragmentada: alguém fala em 40%, outro em 50%, outro fala em área comprometida.

Mas comprometimento de área não é a mesma coisa que perda de produção.

E perda de produção também não significa, necessariamente, perda daquele percentual sobre toda a safra.

É preciso saber qual área foi plantada, qual área foi afetada, em que estágio estava a lavoura e qual será o efeito final sobre a produtividade e a qualidade.

Outro ponto importante: o calendário de semeadura para diversos municípios do Sudoeste Paulista segue aberto até o fim de dezembro. A própria regulamentação estadual inclui municípios como Avaré, Buri, Capão Bonito, Itaberá, Itapeva, Itararé, Paranapanema, Taquarituba e Taquarivaí na Região I, com janela de semeadura de 1º de setembro a 29 de dezembro.

Isso significa que nem toda chuva de setembro atingiu necessariamente uma lavoura já formada.

Em algumas áreas, pode ter havido dificuldade para plantar.

Em outras, excesso de umidade.

Em outras, o produtor pode ter conseguido plantar normalmente.

E em algumas situações a chuva pode até ter ajudado a recompor a umidade do solo.

Por isso, dizer simplesmente que ?choveu demais, então perdeu 40%? é uma conclusão que os dados disponíveis ainda não permitem fazer.

O próprio Cemaden trabalha com essa diferença: a condição climática precisa ser analisada de acordo com o momento do ciclo da cultura. Um problema no início pode atrasar o plantio; em outra fase, pode afetar produtividade.

E é aqui que está a verdadeira questão para o mercado.

A 1ª safra vai entregar feijão.

A dúvida hoje não é essa.

A dúvida é:

Quanto vai entregar, quando vai entregar e, principalmente, com qual padrão.

Porque enquanto isso, o mercado continua sendo abastecido pela 3ª safra irrigada, com bons padrões de cor e qualidade.

E esse feijão está nas mãos de um produtor que sabe o que tem.

Ele olha para a 1ª safra e sabe que ela virá.

Mas também sabe que existe uma variável que ainda não está resolvida: qual será a qualidade desse feijão quando chegar ao mercado?

É justamente por isso que ele preserva o seu produto premium.

Hoje, os melhores padrões estão encontrando referências cada vez mais firmes.

Não necessariamente porque o mercado esteja comprando muito.

Mas porque a oferta física está sendo colocada de forma escalonada e o produtor não está disposto a entregar seu melhor produto a qualquer preço.

Então temos uma situação muito particular:

tem feijão.

tem produtor segurando.

tem comprador cauteloso.

tem demanda andando devagar.

tem uma 1ª safra sendo plantada.

E temos, sim, um risco climático real.

O que ainda não temos é um número confiável dizendo que a safra perdeu 40% ou 50%.

E essa diferença é fundamental.

Porque o mercado pode trabalhar com risco.

O que não podemos fazer é transformar risco em perda, perda em quebra e quebra em preço futuro sem que os números tenham aparecido.

Minha função aqui é justamente essa: acompanhar o que já aconteceu, separar o que é informação do que é rumor e mostrar o que ainda precisa ser confirmado.

Hoje, o Sudoeste Paulista merece atenção.

Mas atenção não é sinônimo de catástrofe.





Analista:  Rose Almeida


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