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Feijão-carioca tem pouca negociação na abertura da semana; preto confirma mercado firme
Pouco mais de 9 mil sacas ofertadas, mas as compras não acompanharam o volume! O carioca segue com negociações limitadas e compradores cautelosos. Já o feijão-preto registrou novo reajuste nos preços, reforçando a firmeza do mercado.
A primeira movimentação da semana, nesta terça-feira (3), após o feriado, registrou pouco mais de 9 mil sacas ofertadas na Bolsa. Isoladamente, o volume não representa motivo de preocupação para o mercado. O ponto de atenção continua sendo o comportamento das compras, que seguem cautelosas, com empresas trabalhando de forma pontual e priorizando a reposição imediata.
Os compradores marcaram presença, embora em número abaixo do esperado. Houve recolhimento de amostras de diferentes regiões e padrões, do comercial aos melhores tipos, mas o volume efetivamente negociado ficou bastante limitado. Até o fechamento das primeiras movimentações, os negócios registrados se concentraram no feijão extra, a R$ 360,00 por saca. As demais ofertas permaneceram em análise, com os compradores avaliando a qualidade dos lotes e, principalmente, a necessidade de avançar nas aquisições.
No feijão-carioca comercial, os padrões nota 8, quando apresentam boa cor e qualidade de grão, continuam encontrando referência entre R$ 310,00 e R$ 320,00, sem indicação de mudança na tabela. A diferença está nas características de cada lote. Entre as ofertas paulistas, já aparecem amostras com sinais de chuva e grãos manchados, condição que provoca questionamentos dos compradores e interfere na avaliação comercial.
Esse é um aspecto que merece acompanhamento nas próximas semanas. Com o avanço da primeira safra, as adversidades climáticas podem resultar em diferenças maiores de qualidade entre os lotes, especialmente naqueles que apresentam problemas de cor, manchas e aspecto dos grãos. Assim, mais do que uma alteração generalizada de preços, o mercado começa a exigir atenção redobrada à classificação e à qualidade efetivamente entregue.
No feijão-preto, o cenário é diferente. O mercado iniciou a semana novamente firme, com ofertas reduzidas e preços em elevação. Foram registradas negociações para embarque a R$ 330,00 por saca nos melhores padrões, em cargas que já chegam beneficiadas, enquanto operações com produto a granel ocorreram a R$ 320,00. Na média, as referências de negociação se aproximam de R$ 325,00.
A valorização, neste momento, está diretamente relacionada à restrição de oferta. O mercado trabalha principalmente com estoques remanescentes da última safra paranaense, enquanto ainda não há entrada expressiva de produto da nova temporada. Embora existam ofertas de Minas Gerais e Goiás, os volumes não são suficientes para alterar significativamente o quadro de abastecimento.
Nos padrões intermediários, que também podem atender a embalagens de primeira linha, as pedidas ficam entre R$ 305,00 e R$ 310,00, mas ainda sem registro de negócios nesses valores. Também há ofertas entre R$ 270,00 e R$ 280,00, em diferentes condições de qualidade, atendendo compradores com exigências e posicionamentos distintos.
A abertura da semana, portanto, mostra dois comportamentos. No carioca, a disponibilidade de amostras é maior, mas a disposição de compra continua limitada, sem mudança efetiva nas referências. No preto, a oferta mais restrita sustenta a firmeza e mantém a pressão sobre os preços. São mercados que seguem respondendo a condições diferentes de abastecimento, e essa distinção merece atenção nas decisões de compra e venda.
O que a cadeia precisa observar no médio prazo
A firmeza atual do mercado está associada, principalmente, à oferta mais restrita de produto remanescente da terceira safra. Ao mesmo tempo, a cadeia já começa a se preparar para a entrada da primeira safra, esperada a partir de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná.
A chegada desse produto é aguardada pelo mercado, mas ainda existem duas questões importantes: o volume que efetivamente estará disponível e, principalmente, a qualidade dos grãos.
Um aumento da oferta, por si só, já pode provocar ajustes nas referências de preços. Entretanto, a qualidade poderá acrescentar outro componente a essa transição. As condições climáticas registradas durante o desenvolvimento das lavouras exigem atenção, pois podem resultar em diferenças entre os lotes, especialmente em relação à cor, à quebra, às manchas e aos demais defeitos.
Isso significa que o mercado poderá trabalhar com distâncias maiores entre os preços de um produto de melhor qualidade, com boa apresentação e poucos defeitos, e aqueles lotes que eventualmente apresentarem comprometimento comercial. Portanto, não necessariamente haverá uma única referência de preço para a nova safra.
A recomendação para toda a cadeia é começar a se preparar para essa mudança de cenário. Produtores devem acompanhar a qualidade efetiva da produção antes de definir suas estratégias de comercialização. Compradores, empacotadores, indústrias, cerealistas e corretores precisam considerar que a entrada de novos volumes poderá alterar as referências, mas que a classificação dos lotes será determinante para a formação dos preços.
Não se trata de antecipar perdas ou projetar um cenário negativo para a primeira safra, mas de reconhecer que a transição poderá trazer um mercado mais segmentado, no qual volume e qualidade terão pesos importantes nas negociações.
Analista: Rose Almeida
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