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A TERCEIRA SAFRA VEIO FORTE. MAS O PRODUTOR NÃO ENTREGOU O JOGO.

Tem feijão. Mas agora tem estratégia. Entenda por que a oferta aumentou, mas a pressão sobre os preços não veio na mesma proporção.


A terceira safra está avançando em Goiás e Minas Gerais, com produtividade muito boa em várias regiões. Mesmo assim, a esperada pressão de oferta ainda não conseguiu derrubar os preços como muitos imaginavam.

E aqui está o ponto principal: o produtor mudou a forma de vender.

A conta da lavoura ajuda a entender esse comportamento.

No feijão irrigado, o investimento é alto. Entre pivô, energia, sementes, defensivos, fertilizantes e manejo, o custo pode chegar a R$ 9 mil a R$ 10 mil por hectare.

Só que, neste ano, a produtividade veio muito boa.

Relatos de campo apontam médias próximas de 60 sacas por hectare em áreas de bom desempenho. Nessa conta, o custo estimado fica na faixa de R$ 150 a R$ 167 por saca.

Mas atenção: isso não significa que o produtor tenha que vender próximo desse valor.

Ele ainda precisa remunerar terra, capital, risco e, principalmente, ter margem. Afinal, produzir bem não significa que seja interessante vender de qualquer jeito.

E é aí que começa a mudança de comportamento.

O produtor tem produto. A produtividade foi boa. Mas ele também tem mais condições de escolher o momento da venda.

A GENÉTICA TAMBÉM DEU MAIS TEMPO

Outro fator importante está dentro do armazém.

As cultivares de escurecimento lento, como Dama, IAC 2051. ANfc diferenciados, permitem conservar por mais tempo a qualidade visual do feijão.

Isso diminui aquela velha pressão de vender logo depois da colheita.

Antes, havia muito mais urgência: colheu, armazenou e precisava negociar rapidamente antes que o produto perdesse qualidade.

Hoje, em determinados lotes, o produtor ganhou tempo para esperar o mercado.

E tempo, no mercado de feijão, também é poder de negociação.

O COMPRADOR JÁ PERCEBEU

Não estamos falando de falta de feijão.

Oferta existe.

O que mudou foi a disposição de parte dos produtores em colocar tudo no mercado ao mesmo tempo.

A demanda continua seletiva e compra conforme a necessidade. Do outro lado, produtor e corretor começam a escolher melhor os negócios, principalmente quando o preço não remunera aquilo que esperam.

É por isso que podemos ter um mercado com boa oferta física e, ainda assim, encontrar dificuldade para acessar determinados padrões pelos preços praticados.

Não é escassez. É comportamento.

E AGORA, TODO MUNDO OLHA PARA A PRIMEIRA SAFRA

Enquanto a terceira safra avança, o mercado já começa a olhar para o próximo capítulo.

A primeira safra, a chamada safra das águas, traz novas dúvidas: área plantada, concorrência com a soja, comportamento das chuvas e, mais adiante, qualidade da produção.

Qualquer alteração nesse cenário pode mudar a relação entre oferta e demanda.

Por isso, quem está com feijão hoje começa a olhar não apenas para o preço atual, mas também para o que pode acontecer alguns meses à frente.

A NOVA LEITURA DO MERCADO

O que estamos vendo agora é uma mudança importante.

O produtor de feijão irrigado deixou de olhar somente para a cotação do dia. Ele está fazendo conta, avaliando qualidade, observando o mercado e escolhendo melhor quando vender.

A produtividade foi boa. A oferta existe. Mas isso não significa venda automática.

O comprador continua presente, mas precisa encontrar o preço que faça o negócio acontecer.

E é justamente aí que está o mercado neste momento:

não é um mercado de escassez.
É um mercado de estratégia.

Para o curto prazo, minha leitura é de atenção e cautela.

Não vejo espaço para euforia, porque a demanda ainda não mostrou força suficiente para justificar uma disparada sustentada.

Mas também não vejo o produtor com a mesma disposição de antes para simplesmente ceder.

Agora, mais importante do que olhar apenas para a cotação, é observar o comportamento das duas pontas. É ali que o próximo movimento do feijão vai começar a aparecer.

 

 

Analista:  Rose Almeida

 


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