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Feijão preto: R$ 310 fica para trás e argentino se descola do nacional

Negócios realizados confirmam novos valores no mercado paulista. No carioca, compradores aproveitam preços mantidos, enquanto o clima segue no radar, mas ainda sem dados que permitam dimensionar possíveis perdas nas lavouras.


O mercado de feijão começou a semana com um movimento que merece atenção, principalmente no segmento do feijão preto. Os valores que, até a última sexta-feira, encontravam referência em até R$ 310 por saca passaram a dar lugar a novas negociações, confirmando o reajuste tanto para o produto nacional quanto para o importado. Mais do que a elevação das pedidas, o destaque é o fato de o feijão argentino começar a se descolar do brasileiro.

Na manhã desta segunda-feira, a pedida pelo feijão preto argentino chegou a R$ 320 por saca, enquanto o nacional trabalhou ao redor de R$ 310. Considerando os dois produtos de melhor padrão comercial, a referência fica próxima de R$ 315 por saca. Não se trata, porém, de feijões extras, mas de mercadoria de qualidade superior dentro dos padrões comerciais acompanhados pelo mercado.

O reajuste também alcançou os produtos comerciais, bons e de padrão mais fraco, acompanhando o movimento observado nos lotes de melhor qualidade.


Oferta restrita sustenta o feijão preto

O comportamento não chega a surpreender. Há meses, a sustentação dos preços do feijão preto está mais relacionada à disponibilidade de produto na origem do que a uma demanda aquecida. Com o avanço do calendário e a perspectiva de que novas ofertas mais expressivas só apareçam no final do ano, desde que as condições climáticas permitam, o mercado já apresentava elementos para trabalhar com referências mais elevadas.

A valorização, portanto, precisa ser analisada dentro desse contexto. O avanço dos preços não significa, por si só, que o consumo tenha aumentado ou que os compradores estejam formando estoques expressivos. A oferta disponível e a disposição dos vendedores continuam sendo fatores importantes na formação dos valores.



Bolsa registra volume reduzido, mas compradores antecipam negócios

No feijão carioca, o pregão desta segunda-feira registrou oferta de 7.040 sacas, volume considerado reduzido para o início da semana. A sobra foi de 2.800 sacas.

O diferencial esteve no comportamento dos compradores, que demonstraram maior disposição para negociar desde o início da manhã. Com os preços mantidos em relação às referências anteriores, parte dos compradores que precisava concluir negócios aproveitou as cargas disponíveis para entrega imediata em São Paulo.

Esse movimento, entretanto, não deve ser interpretado como aumento consistente da demanda. A compra continua ocorrendo de forma fracionada, conforme a necessidade de reposição. O que mudou foi a disposição para fechar negócios diante de preços que não avançaram.

Também é importante lembrar que o volume registrado na Bolsa não representa toda a oferta disponível. Existem amostras para embarque em diferentes padrões, do 7,5 ao 9,5, que precisam ser consideradas na leitura do mercado.



Entregas de embarques anteriores entram na programação da semana

As negociações realizadas na quinta e na sexta-feira da semana passada, especialmente envolvendo feijões cariocas dos padrões 7,5 e 8 destinados a embarque, começam agora a se converter em entregas.

Essa sequência ajuda a explicar parte da movimentação desta semana e reforça a importância de distinguir os negócios realizados para entrega imediata daqueles programados anteriormente para embarque. A leitura diária da Bolsa, isoladamente, não permite dimensionar todo o fluxo comercial.



Clima permanece no radar, mas perdas ainda precisam ser dimensionadas

Os relatos de chuvas fortes e ocorrência de granizo em áreas produtoras, principalmente no Paraná, mantêm o clima entre os fatores de atenção para o mercado de feijão. São eventos relevantes, que justificam acompanhamento, mas ainda não permitem concluir qual será o impacto sobre a produção.

Até o momento, faltam levantamentos de campo que dimensionem as áreas atingidas, a intensidade dos danos e o percentual de eventuais perdas. Sem essas informações, qualquer estimativa de redução da oferta seria prematura.

A leitura dos efeitos sobre a produção dependerá da evolução das lavouras e da consolidação de informações nas regiões afetadas. Nas próximas semanas, esses dados serão importantes para avaliar se os eventos climáticos terão consequências efetivas sobre a disponibilidade futura do produto.



O mercado começa a semana com duas leituras distintas: no feijão preto, a restrição de oferta já se reflete em negócios com novas referências de preços; no carioca, os compradores seguem atentos às oportunidades, sem sinal consistente de ampliação da demanda. O clima pode alterar esse quadro, mas, por enquanto, a confirmação dos impactos depende de informações concretas sobre as lavouras.

 

 


Analista: Rose Almeida 


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