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A terceira safra vai derrubar os preços?
Essa é, sem dúvida, a pergunta que mais se ouve hoje no mercado do feijão.
A resposta mais fácil seria dizer "sim". Afinal, vem aí a terceira safra, e quando aumenta a oferta, o preço costuma recuar. Mas o mercado de feijão não é tão simples assim.
Primeiro, é preciso entender que uma coisa é a expectativa. Outra, bem diferente, é o produto disponível para embarque.
Hoje, os feijões carioca extra seguem escassos. Tanto que as indústrias estão pagando entre R$ 430,00 e R$ 445,00 por saca para garantir abastecimento. Isso não significa que elas estejam confortáveis com esses preços. Significa apenas que, quando precisam comprar, pagam o valor que o mercado exige.
Ao mesmo tempo, essas mesmas empresas mudaram a forma de trabalhar. Diferente do que acontecia anos atrás, poucas mantêm grandes estoques. Hoje, primeiro fecham os pedidos com o varejo e só depois saem em busca do feijão. Compram praticamente o necessário para manter a produção.
Esse detalhe faz toda a diferença.
Outro ponto importante é a terceira safra. Os números mostram aumento de área em Minas Gerais, mas redução em Goiás. Além disso, algumas regiões mineiras enfrentaram excesso de chuva e pressão de mosca-branca, fatores que ainda precisam ser avaliados quanto ao impacto na produtividade e, principalmente, na qualidade dos grãos.
É natural que, com a entrada da colheita, os compradores voltem a testar o mercado. Devem rejeitar pedidas consideradas elevadas e buscar preços menores. Isso faz parte da dinâmica de qualquer mercado físico. Afinal, quando aumenta a oferta, o comprador recupera parte do seu poder de negociação.
Mas isso significa que os preços vão despencar?
Não necessariamente.
Existe outro fator que precisa entrar na conta: o clima.
As previsões para o início da primeira safra indicam um cenário de atenção para parte do Centro-Oeste e Sudeste. Se houver atraso nas chuvas ou dificuldades para o plantio, o mercado poderá olhar além da terceira safra e começar a precificar também os riscos da próxima oferta.
Há ainda uma mudança importante no comportamento dos produtores. Muitos já não vendem toda a produção logo após a colheita. Fazem caixa com uma parte da safra e administram o restante das vendas de acordo com o comportamento do mercado. Isso reduz a pressão de oferta em determinados momentos.
Também não podemos esquecer que o consumo de feijão mudou ao longo dos últimos anos. O brasileiro consome menos feijão do que consumia no passado. Isso fez as indústrias reduzirem estoques e adotarem compras muito mais pontuais. Hoje, o mercado movimenta menos volume, mas reage com mais intensidade sempre que falta produto de qualidade.
Diante desse cenário, a expectativa mais equilibrada é de uma correção nos preços com a entrada da terceira safra. Isso é natural. O que ainda não está definido é a intensidade dessa correção.
Se a colheita entregar grande volume, excelente qualidade e comercialização acelerada, os compradores terão argumentos para pressionar os preços.
Por outro lado, se a oferta entrar de forma gradual, os produtores venderem apenas parte da produção e persistirem dúvidas sobre o início da primeira safra, o mercado poderá encontrar um novo equilíbrio sem quedas acentuadas.
No mercado de feijão, a oferta continua sendo determinante. Mas, hoje, ela não trabalha sozinha. O comportamento dos produtores, a estratégia das indústrias e o clima passaram a ter um peso tão importante quanto o tamanho da safra.
Rose Almeida
Analista de Mercado
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