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Varejo estocado trava cadeia do feijão e paralisa negociações entre empacotadoras e regiões produtoras

O gargalo continua sendo o consumo final: atacadões, redes de supermercados e atacarejos estocados prolongam reposições e travam toda a cadeia produtiva.


? O varejo no centro do problema

A soberania do mercado está sendo colocada à prova. O setor varejista, abastecido e estocado, prolonga deliberadamente as reposições de feijão nas gôndolas, desencadeando um efeito cascata que trava as negociações das empresas empacotadoras junto às regiões produtoras.

Atacadões, redes de supermercados e atacarejos mantêm estoques suficientes para segurar as compras, não sinalizando ao mercado qualquer urgência de reposição. A consequência direta é o silêncio nas negociações entre empacotadoras e produtores, o elo mais fraco da cadeia aguarda um movimento que não vem.

Enquanto o varejo não esvazia seus estoques, as empacotadoras não ativam novas ordens de compra. E sem demanda das empacotadoras, os produtores nas lavouras ficam sem destino para sua mercadoria.

 

? Bolsa: preços estáveis, demanda inexistente

A Bolsa, na madrugada desta segunda-feira, não registrou quedas nos preços. No entanto, o mercado enfrenta a mais baixa atividade de demanda dos últimos 20 dias. Os corretores circulam com as mesmas ofertas da semana passada, já amplamente conhecidas pelos compradores, e aguardam qualquer sinal de proposta.

Os feijões estão à disposição dos compradores à espera de ouvir uma oferta. Ao que tudo indica, o dia encerrará sem definição real de preços.

 

? Feijão Extra: único negócio evidencia tendência de recuo

A única negociação registrada na zona cerealista nesta sessão foi de pequeno volume: um truck comercializado a R$ 370,00 a saca. O episódio isolado, no entanto, começa a delinear o caminho provável para os preços: recuos que viabilizem qualquer negociação em um mercado paralisado.

Feijão Extra (tipo 9) ? zona cerealista: R$ 370,00/sc  ? volume residual, único negócio do dia

 

? Competitividade: pressão vinda de fora aprofunda o impasse

Os compradores já estavam no radar de corretores dos estados vizinhos. Agora, a disputa se tornou mais acirrada: propostas com preços inferiores aos praticados na Bolsa começam a chegar às mesas dos compradores, que passam a visualizar novas opções e optam por aguardar para ver até onde os preços podem cair.

Esse comportamento retroalimenta a paralisia: a perspectiva de preços ainda menores inibe qualquer decisão de compra no curtíssimo prazo.

? Lavouras: queda nos preços já é sentida no campo

Os preços nas lavouras já vinham recuando desde a semana passada. Com a abertura do mercado nesta segunda-feira mantendo patamares inalterados e baixíssima atividade de vendas, o cenário nas roças ficou ainda mais calmo e preocupante.

Em Goiás e Minas Gerais, estados que concentram parte relevante da produção nacional, os produtores já sentem de forma mais aguda a ausência de negócios. O resultado é um setor produtivo aberto ao diálogo, mas com propostas apresentando recuo de pelo menos R$ 10,00-20,00 por saca em relação aos preços anteriores.

Tipo / Classificação

Preço (R$/sc)

Variedades

Situação

 

Feijão Extra (tipo 9)

R$ 320,00 ? R$ 330,00

?

Sem negócios / firme

 

 

 

 

Feijão do Meio (tipo 8,5)

R$ 270,00 ? R$ 290,00

Dama, Agronorte, Estilo

Oferta robusta

 

* Feijão do Meio inclui variedades com defeitos e quebras. Volumes mais robustos e preços mais atrativos aos compradores.

? Considerações Finais

O mercado permanece em compasso de espera. A retomada das negociações depende exclusivamente do retorno das empresas para as devidas reposições, e esse retorno, até o momento, não se materializa.

A explicação está na própria cadeia: na ponta do consumo final, o varejo estocado não sinaliza urgência. Sem pressão de reposição vinda do varejo, as empacotadoras não compram. Sem compras das empacotadoras, os produtores aguardam com mercadoria nas mãos e preços em queda.

Enquanto o varejo não girar seus estoques, toda a cadeia, das lavouras de Goiás e Minas Gerais às gôndolas dos supermercados, permanecerá travada.

 

Rose Almeida

Analista de Mercado


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