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Mercado de feijão opera em compasso de espera: especulação trava negócios e lavouras cedem no preço

SÃO PAULO, 7 de abril de 2026 - O mercado de feijão encerrou o pós-pregão desta terça-feira em clima de indefinição. Compradores e vendedores chegam à mesa de negociação, mas recuam na hora de fechar negócio, comportamento que identificam como especulação deliberada.



Empresas do segmento demonstraram interesse por lotes de feijão extra ao longo do dia, mas o movimento não se converteu em negócios concretos.

O motivo: parte dessas companhias já recebeu cargas no final da semana passada e, portanto, não opera com estoques zerados. O que fazer agora é monitorar preços e prazos de entrega para agir apenas quando surgir uma necessidade real.

O preço sugerido aos compradores é de R$ 340,00 a saca ? referência da última negociação do dia anterior, com aspirações de chegar a R$ 350,00 para lotes sem manchas. O problema é que a safra das águas, por sua natureza, exige a uniformidade dos grãos independentemente da região produtora, tornando difícil atender à exigência de qualidade que justificaria o preço mais alto.

O que foi vendido ? e por quanto

As únicas comercializações concluídas nesta sessão envolveram feijões de qualidade inferior, com cor opções em 7,5. Na zona cerealista, esses lotes foram negociados na faixa de R$ 270,00 por saca . Fora dessa categoria, o mercado está paralisado.

No campo, os preços recuam

A situação nas indústrias de Goiás, Minas Gerais e Paraná é de pressão crescente sobre os produtores. Com compradores cada vez mais seletivos e entregadores maiores entre as compras, o setor produtivo viu-se obrigado a flexibilizar os preços para escolher o produto.

Em Minas Gerais e Goiás, grãos com padrão de cor entre 8 e 8,5 são ofertados entre R$ 260,00 e R$ 270,00 por saca . Lotes de melhor qualidade, diferenciados pela ausência de manchas, alcançam entre R$ 280,00 e R$ 300,00 .

No Paraná, os valores são ainda mais baixos. Padrões normais variam de R$ 240,00 a R$ 260,00 , enquanto lotes de maior qualidade chegam a R$ 280,00 a saca . O feijão preto paranaense apresenta oscilações por município, com cotações entre R$ 140,00 e R$ 170,00 por saca .


Análise de

O mercado de feijão sinaliza uma tendência lateral com viés de baixa moderada . Três fatores explicam esse cenário:

O primeiro é estrutural: os compradores adotaram um comportamento de compra pontual e espaçado, diminuindo a pressão de demanda que normalmente sustentaria os preços. Sem urgência de solicitação, o poder de barganha depende do lado dos compradores.

O segundo é qualitativo: a safra das águas introduz instabilidade nos padrões de cor e mancha dos grãos. Como o mercado premia fortemente lotes limpos, com diferença de até R$ 90,00 por saca entre o produto de cor 7,5 e o aspirado de qualidade superior, a oferta predominante de produto médio ou fraco puxa a média geral para baixo.

O terceiro é de equilíbrio: os estoques das empresas não estão cheios. Isso significa que, em algum momento nas próximas semanas, uma demanda represada vai se converter em negócios, funcionando como um piso de sustentação para os preços atuais e impedindo uma queda mais acentuada.

Conclusão: enquanto não houver um gatilho de demanda, seja por esgotamento de estoques ou por redução da oferta disponível nas atividades, o mercado deve continuar operando nesse ritmo lento, com preços oscilando dentro da faixa atual e sem perspectiva de alta consistente no curtíssimo prazo.

 



Negócios e Mercado


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