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Feijão: Alta de Preços Reflete Restrição de Oferta, Não Aumento de Demanda

Mercado deve registrar oscilações por pelo menos 60 dias, enquanto produtores mantêm estratégia de contenção de vendas



O mercado de feijão no Brasil passa por um momento peculiar: os preços estão em elevação, mas não por causa do aumento no consumo. A alta está diretamente ligada à restrição deliberada de ofertas por parte dos produtores, especialmente na região Sul do país, com a variedade de feijão preto, que avança na conclusão da colheita da primeira safra.

Estratégia de Contenção Sustentável Preços

Com redução significativa na área plantada e histórico recente de preços desfavoráveis, os produtores sulistas optaram por armazenar menos e comercializar de forma mais controlada. Boa parte das áreas já foi colhida em três estados ? Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ?, mas as ofertas ao mercado são restritas.

Os últimos meses não foram projetados para o setor produtivo, que operou com ofertas excedentes e preços baixos. Agora, com as safras 2024/2025 e a recente 2026, o mercado consumidor demonstra preferência pelos grãos mais novos, o que permite aos produtores testarem novos patamares de preço.

 

Feijão Preto Atinge Maior Patamar em 9 Meses

A comercialização do feijão preto continua modesta em volume, mas a estratégia de contenção tem dado resultado. Os preços de roça sugeridos na praça paranaense atingiram entre R$ 180,00 e R$ 205,00 a saca ? o maior valor registrado nos últimos nove meses.

Os produtores seguem firmes nas cotações, e apesar da hesitação inicial dos compradores, a tendência é que esses preços permaneçam firmes por pelo menos 60 dias, período previsto para a entrada da segunda safra.

Os dados da Conab revelam uma retração expressiva na área plantada de feijão preto na região Sul: queda de 31,4% na comparação entre as safras, saindo de 160,6 mil hectares em 2025 para 110,2 mil hectares em 2026. O Paraná registrou uma maior redução, com -39,4%.

 

Feijão Carioca Também Registra Alta

Com volumes menores em comparação ao feijão preto, o carioca chegou ao patamar de R$ 200,00 a R$ 250,00 por saca, conforme a qualidade dos grãos. A maioria das comercializações tem ocorrido na própria região Sul.

A área plantada de núcleos de feijão (que inclui o carioca) também apresentou retração de 23% na região Sul, passando de 62,1 mil hectares para 47,8 mil hectares. A tendência de preços dependerá do comportamento de outros estados, mas os primeiros três meses do ano tendem a manter volumes menores, sustentando as cotações.

Não é a Demanda que Movimente os Preços


É fundamental destacar que não há escassez real de feijões no mercado brasileiro. O que existe é uma estratégia articulada em torno do período de entressafra, mantendo o modelo de ofertas restritas e obrigando o mercado a ceder à política exigida pelos produtores.

Dados recentes reforçam que a demanda não está em crescimento. Pesquisa da UFMG revelou queda consistente no consumo regular: de cerca de 70% para 60% entre homens, e de 61% para 54% entre mulheres, em um período de 17 anos. Este cenário não apresentou melhorias até o momento.

Perspectivas para os Próximos Meses


O mercado é soberano, e embora a demanda atenda às expectativas, os produtores continuarão aproveitando a janela de oportunidade para testar novos preços. No entanto, com a cadeia produtiva registando queda no consumo e na dinâmica atual baseada exclusivamente na restrição de ofertas, variações significativas nos preços poderão ser observadas ao longo dos próximos 60 dias.

A entrada da segunda safra será determinante para redefinir o equilíbrio entre oferta e demanda, podendo provocar ajustes nas cotações que hoje favorecem os produtores.


Rose Almeida
Analista de Mercado

 


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