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Silêncio no pós-pregão intriga o mercado: o que os corretores sabem que ainda não foi dito?
O pós-pregão desta terça-feira (16) terminou envolto em um clima de mistério no mercado do feijão. Se por um lado é fácil entender a postura cautelosa dos compradores, por outro, o silêncio dos corretores chama atenção. A calmaria não é típica de um cenário de excesso de oferta ou de queda nas cotações. Pelo contrário: a escassez segue presente e as lavouras ainda estão longe de colocar novos volumes no mercado.
Com a colheita em Goiás e Minas Gerais ainda dependendo de pelo menos mais duas semanas, os produtores seguem cicatrizando os prejuízos deixados pelo El Niño e organizando suas estratégias comerciais. Enquanto isso, os negócios continuam acontecendo, mas apenas quando os compradores aceitam os preços pedidos pelos vendedores.
Nos feijões comerciais, do padrão 7,5 ao 8, com poucos defeitos, a conversa abaixo de R$ 300,00 a R$ 320,00 por saca praticamente desapareceu. Negociações entre R$ 280,00 e R$ 290,00 só têm sido possíveis em lotes com defeitos ou grãos escurecidos. Como cada lote possui características diferentes, as pedidas seguem variando conforme a qualidade disponível.
O que mais surpreende os compradores é a postura dos corretores. Sem estoque nas mãos e sem margem para pressionar os preços, muitos permanecem "dentro de suas casinhas", sem espaço para buscar descontos.
No feijão carioca extra, a pedida de R$ 430,00 por saca já se consolidou como realidade. Mesmo com negócios em volumes reduzidos, as lavouras deixam um recado claro: não há disposição para estabilidade e, a cada sinal de compra, novos preços são testados.
No mercado do feijão preto, o alerta continua ligado desde as mudanças climáticas anunciadas nas últimas semanas. Corretores que atuam com feijão preto extra maquinado praticamente não têm mercadoria em mãos. Já o produto argentino começa a ensaiar reação, e valores entre R$ 290,00 e R$ 300,00 por saca parecem ser apenas uma questão de tempo.
De forma geral, o mercado lembra um Brás sem circulação de mercadorias: poucas ofertas, vendedores retraídos e produtores apostando em uma estratégia de espera. A expectativa é de que, em algum momento, a necessidade de abastecimento da indústria provoque um movimento esperado.
Enquanto as reposições no varejo seguem lentas, as lavouras observam em silêncio. E é justamente esse silêncio que hoje alimenta a principal pergunta do mercado: há algo sendo preparado nos bastidores?
Analista: Rose Almeida
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