COTAÇÕES DE PREÇOS E ANÁLISE DE MERCADO
Feijão carioca - preços em r$ - saca 60 kg - últimos 5 dias
Boletim Informativo do Feijão
Pregão | sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Preço firme, oferta enxuta e um mercado cada vez mais fora da Bolsa
A semana terminou com dois sinais importantes no feijão: o carioca chegou aos R$ 350 nos melhores lotes, enquanto o preto começou a colocar R$ 300 na conversa. Mas, por trás desses números, existe uma mudança no jeito de o mercado estar acontecendo. No carioca, R$ 350 deixou de ser apenas uma pedida. Ao longo da semana, foram confirmados negócios de feijão extra nesse patamar, inclusive para embarque e entrega programada. Ao mesmo tempo, a Bolsa chegou a amanhecer sem oferta física e sem compradores no pregão.
Isso não significa que o feijão desapareceu.
O que estamos vendo é uma oferta mais enxuta e mais seletiva, com corretores trabalhando por amostras e negócios sendo construídos para embarque ou entrega programada. O produtor também segue mais resistente em liberar produto, principalmente diante do encerramento da terceira safra e das incertezas para a primeira.
Na origem, MG e GO continuam participando do mercado, enquanto o Paraná aparece com menor volume no carioca, principalmente nos comerciais. O ponto central continua sendo o encontro entre padrão, preço e necessidade do comprador.
E aqui está uma diferença importante: os preços estão firmes, mas isso ainda não significa que a demanda tenha acelerado na mesma proporção. O comprador continua bastante atento ao próximo negócio e, em muitos casos, trabalhando praticamente para atender a necessidade imediata.
Carioca: R$ 350 começa a ganhar consistência
O R$ 350 foi validado nos melhores feijões extra 9,5/10. Nos demais padrões, o mercado continua bastante dividido. Os comerciais seguem mais apertados em determinados padrões, enquanto os melhores lotes conseguem defender preços mais altos. Isso ajuda a sustentar a referência, mas também mostra que não existe um único preço para o carioca neste momento.
Para a próxima semana, a questão será observar se os R$ 350 continuam encontrando comprador nos melhores lotes e se essa referência começa a alcançar outros padrões.
Preto: R$ 300 entrou na conversa
O preto também terminou a semana com uma mudança de tom. As pedidas no Sul já aparecem próximas de R$ 270 para os melhores padrões. Com essa conta, os corretores começam a trabalhar com a possibilidade de o produto chegar ao mercado paulista próximo de R$ 300.
Ainda não temos confirmação de negócios a R$ 300. Portanto, é importante separar preço pedido de preço realizado. Na Bolsa, as pedidas chegaram a R$ 280, enquanto o produto importado apareceu próximo de R$ 290. O abastecimento continua contando com o Sul e também com ofertas argentinas, mas a janela até novas ofertas da região Sul merece acompanhamento.
E a próxima semana?
Para as duas variedades, o cenário começa a exigir mais atenção ao negócio realizado do que simplesmente à pedida. No carioca, R$ 350 já encontrou comprador nos melhores lotes. No preto, R$ 300 ainda está sendo testado. A tendência, portanto, é de mercado firme, com oferta mais seletiva e negociações cada vez mais programadas. Mas o limite dessa firmeza continuará sendo a disposição do comprador em validar os preços.
A Bolsa pode mostrar pouco pela manhã. O mercado, porém, pode estar acontecendo em outro lugar. E é justamente aí que estará uma das principais leituras da próxima semana: até onde o preço consegue avançar quando a oferta física é curta, mas o comprador continua comprando com cautela?
Analista: Rose Almeida