COTAÇÕES DE PREÇOS E ANÁLISE DE MERCADO
Feijão carioca - preços em r$ - saca 60 kg - últimos 5 dias
BOLETIM INFORMATIVO DO FEIJÃO
Pós-Pregão | Segunda-feira, 09 de março de 2026
Varejo estocado trava cadeia do feijão e paralisa negociações entre empacotadoras e regiões produtoras
O gargalo continua sendo o consumo final: atacadões, redes de supermercados e atacarejos estocados prolongam reposições e travam toda a cadeia produtiva.
- O varejo no centro do problema
A soberania do mercado está sendo colocada à prova. O setor varejista, abastecido e estocado, prolonga deliberadamente as reposições de feijão nas gôndolas, desencadeando um efeito cascata que trava as negociações das empresas empacotadoras junto às regiões produtoras.
Atacadões, redes de supermercados e atacarejos mantêm estoques suficientes para segurar as compras, não sinalizando ao mercado qualquer urgência de reposição. A consequência direta é o silêncio nas negociações entre empacotadoras e produtores, o elo mais fraco da cadeia aguarda um movimento que não vem.
Enquanto o varejo não esvazia seus estoques, as empacotadoras não ativam novas ordens de compra. E sem demanda das empacotadoras, os produtores nas lavouras ficam sem destino para sua mercadoria.
- Bolsa: preços estáveis, demanda inexistente
A Bolsa, na madrugada desta segunda-feira, não registrou quedas nos preços. No entanto, o mercado enfrenta a mais baixa atividade de demanda dos últimos 20 dias. Os corretores circulam com as mesmas ofertas da semana passada, já amplamente conhecidas pelos compradores, e aguardam qualquer sinal de proposta.
Os feijões estão à disposição dos compradores à espera de ouvir uma oferta. Ao que tudo indica, o dia encerrará sem definição real de preços.
? Feijão Extra: único negócio evidencia tendência de recuo
A única negociação registrada na zona cerealista nesta sessão foi de pequeno volume: um truck comercializado a R$ 370,00 a saca. O episódio isolado, no entanto, começa a delinear o caminho provável para os preços: recuos que viabilizem qualquer negociação em um mercado paralisado.
Feijão Extra (tipo 9) - zona cerealista: R$ 370,00/sc - volume residual, único negócio do dia
- Competitividade: pressão vinda de fora aprofunda o impasse
Os compradores já estavam no radar de corretores dos estados vizinhos. Agora, a disputa se tornou mais acirrada: propostas com preços inferiores aos praticados na Bolsa começam a chegar às mesas dos compradores, que passam a visualizar novas opções e optam por aguardar para ver até onde os preços podem cair.
Esse comportamento retroalimenta a paralisia: a perspectiva de preços ainda menores inibe qualquer decisão de compra no curtíssimo prazo.
- Lavouras: queda nos preços já é sentida no campo
Os preços nas lavouras já vinham recuando desde a semana passada. Com a abertura do mercado nesta segunda-feira mantendo patamares inalterados e baixíssima atividade de vendas, o cenário nas roças ficou ainda mais calmo e preocupante.
Em Goiás e Minas Gerais, estados que concentram parte relevante da produção nacional, os produtores já sentem de forma mais aguda a ausência de negócios. O resultado é um setor produtivo aberto ao diálogo, mas com propostas apresentando recuo de pelo menos R$ 10,00-20,00 por saca em relação aos preços anteriores.
Tipo / Classificação
Preço (R$/sc)/Variedades Situação
Feijão Extra (tipo 9)R$ 320,00 ? R$ 330,00 - Sem negócios / firme
Feijão do Meio (tipo 8,5)R$ 270,00 ? R$ 290,00 Dama, Agronorte, Estilo
Oferta robusta
* Feijão do Meio inclui variedades com defeitos e quebras. Volumes mais robustos e preços mais atrativos aos compradores.
- Considerações Finais
O mercado permanece em compasso de espera. A retomada das negociações depende exclusivamente do retorno das empresas para as devidas reposições, e esse retorno, até o momento, não se materializa.
A explicação está na própria cadeia: na ponta do consumo final, o varejo estocado não sinaliza urgência. Sem pressão de reposição vinda do varejo, as empacotadoras não compram. Sem compras das empacotadoras, os produtores aguardam com mercadoria nas mãos e preços em queda.
Enquanto o varejo não girar seus estoques, toda a cadeia, das lavouras de Goiás e Minas Gerais às gôndolas dos supermercados, permanecerá travada.
Rose Almeida
Analista de Mercado